Todo dia 08 de março o Sindilex homenageia as mulheres servidoras públicas da Câmara Municipal de São Paulo e do TCMSP, e estende essa homenagem a todas as mulheres do planeta.

 A celebração desse dia tem origem na história de lutas sociais e de emancipação das mulheres de várias partes do mundo. Diferentemente do que afirmam alguns movimentos de que a origem se deu em razão das mortes de mulheres queimadas dentro de uma fábrica textil de Chicago, porque lutavam por melhores condições de trabalho, pesquisas recentes apontam para a definição da data na Internacional Socialista, realizada em 1921, em que as conferencistas homenageavam as mulheres que se engajaram em lutas sociais, trabalhistas e de emancipação.

 Este ano, vamos homenagear algumas das tantas mulheres que fizeram história nas lutas sociais e de gênero, entre outras no Brasil, e vamos mostrar um quadro bastante grave de violência, opressão e desigualdade que ainda aterrorizam as mulheres em nossa sociedade.

 Dentre as mulheres guerreiras que marcaram sua época, lembramos de Dorothy Stang, assassinada por capangas de fazendeiros porque defendia os trabalhadores sem terra; Margarida Maria Alves, sindicalista do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande,  na Paraíba, assassinada a mando dos usineiros locais; Anita Garibaldi, que foi uma das líderes da Guerra dos Farrapos; Patrícia Galvão – a Pagu, uma feminista no mundo das artes; Bartira, uma indígena que desempenhou importante papel na fundação da cidade de São Paulo; Zilda Arns, médica pediatra, fundadora  da Pastoral da Criança e militante na área de atenção à criança pobre; Heleieth Iara Bongiovni Saffioti, socióloga, professora e militante feminista que aprofundou seus estudos na violência de gênero; Maria da Penha, que deu o nome à lei de combate à violência contra as mulheres e foi vítima dessa violência. Além dessas, há muitas outras mulheres renomadas ou anônimas que continuam lutando por avanços nos direitos sociais, trabalhistas e de gênero.

 No que diz respeito à violência contra as mulheres, destacamos que o País ainda é um dos campeões no ranking mundial. De acordo com inúmeras reportagens, o Brasil é o quinto colocado no ranking de assassinatos femininos no planeta; o assassinato de mulheres negras cresceu no País 54% entre 2003 e 2013; anualmente ocorrem no Brasil 527 mil estupros; 13 mulheres são assassinadas por dia; 50,3% dos homicídios são cometidos por familiares; 70% dos estupros são cometidos por parentes, namorados, amigos ou conhecidos; 70% das vítimas de estupro são crianças ou adolescentes.

 Diante desses dados, concluímos que há muito o que fazer a fim de construirmos um ambiente de igualdade entre homens e mulheres em nosso país. Esse dia 08 de março deve ser uma data de reflexão sobre o nosso papel, de homens e mulheres, em busca da igualdade de direitos.

 “Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância”.  Simone de Beauvoir

Sônia Maria Corrêa Alves

Vice-presidente do Sindilex