Dia Internacional da Mulher: um dia de luta.

Desde que assumi a direção do Sindilex tenho insistido na importância de comemorar o dia da mulher como um dia de luta.

Em publicações anteriores, busquei desmistificar a data comemorativa, dia 08 de março, como sendo homenagem às mulheres que morreram queimadas em uma fábrica têxtil em Nova York, após greve por melhores condições de trabalho. Na verdade, os movimentos feministas há muito adotam a versão proveniente de pesquisas históricas de que a data foi resultado de proposta de algumas mulheres conferencistas da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas em 1921, para que o dia 08 de março fosse oficializado como Dia Internacional da Mulher.

Muitas mulheres se destacaram na luta pelo avanço dos direitos da mulher em lutas como: pelo direito de votar (movimento sufragista); estando à frente de greves por condições dignas de trabalho, por mudanças que marcaram a história da humanidade, como a Revolução Francesa e a Revolução Russa, etc.

No Brasil, a mulher esteve presente em lutas de grande relevância: Bartira foi uma indígena que ajudou a construir e organizar a vila de São Paulo hoje a grande metrópole paulistana; Anita Garibaldi se destacou na guerra de Farroupilha; Margarida Maria Alves, sindicalista que representava os trabalhadores rurais da Paraíba, assassinada a mando de latifundiários; Sônia Angel e as dezenas de mulheres torturadas e mortas pela ditadura militar brasileira. Além dessas, centenas de mulheres famosas ou anônimas lutaram e ainda lutam pelos direitos da mulher e por direitos da população em geral como creche, habitação, hospitais, etc.

Atualmente, mais do que nunca, é momento das mulheres (e dos homens) lutarem por condições dignas de trabalho no Brasil, eis que o cenário é de retirada dos direitos trabalhistas e de ameaça aos direitos da seguridade social. Tais perdas de direitos costumam sacrificar mais profundamente as mulheres.

De todo modo, embora ter alcançado o papel de protagonista, a mulher ainda sofre com as heranças históricas do sistema social patriarcalista. A mulher, sobretudo a brasileira, ainda é a grande vítima de violência doméstica, em geral, praticada por seus companheiros e, mesmo com o avanço que foi a Lei Maria da Penha, ainda são altos os índices de violência contra a mulher. Segundo dados, a cada 7 minutos uma mulher sofre violência no Brasil. São grandes também os casos de diferença salarial em relação aos homens para exercício das mesmas funções.

Concluo afirmando que os desafios ainda são grandes, por isso a importância da luta feminista. O feminismo carregara mitos, tal como pensar que esse movimento é o lado oposto do machismo ou que as mulheres feministas lutam contra os homens, entre outros erros. Na verdade, a luta feminista é pela igualdade entre mulheres e homens na sociedade; é contra o machismo e o patriarcalismo. Trata-se sim de luta pelas liberdades individuais e coletivas, de forma que homens e mulheres sejam beneficiados com suas conquistas.

O Sindilex parabeniza e homenageia todas as mulheres pelo seu dia.

 

Sônia Alves

Vice-Presidente