Não nos surpreende a revista Veja São Paulo publicar matérias que atacam as Casas Legislativas, tais como a mais recente, de 31 de maio, onde estampa a chamada “As mordomias da Assembleia Legislativa, que custa 1,3 bilhão por ano”. Tal semanário não tem prezado pela imparcialidade e pelo profissionalismo jornalístico nos últimos anos. Ao contrário, é uma grande aliada das meias verdades, das convicções, dos power points e do ataque aos serviços públicos, sempre surfando na onda do neoliberalismo financista.

Em tempos de pensamento único, em que predomina a máxima de que o mercado é sempre impoluto e que o Estado é sempre corrupto, a referida matéria faz a sua festa entre os tolos. Difícil é ser ouvido quando se fala o contrário, pela simples razão de que a grande mídia fez e faz muito bem o seu trabalho de manipular as mentes dos cidadãos, repetindo o mesmo discurso falacioso do mercado x Estado: correção x corrupção.

Onde está a postura ilibada do mercado? Nas pesadas dívidas com a Previdência (perto de 500 milhões de reais)? Nos benefícios que os bancos obtêm com as operações compromissadas do Banco Central que lhes retiram as sobras de caixa e lhes entregam títulos da dívida pública a juros altíssimos? Na evasão de divisas da ordem de mais de 520 bilhões em 2018 sem pagamento de impostos e sem fiscalização da Receita? Tudo isso e muito mais constituem práticas ilegais e imorais e integram a corrupcão invisível. Porém são tratadas como normais e até anunciadas como símbolo de bons negócios.

Mais do que defender esse pensamento único, a mídia tradicional é defensora e incentivadora dessa lógica eis que é parte integrante desse mercado como rentista ou simplesmente porque é financiada pelos patrocinadores do mercado.

Repudiamos matérias com essa vertente de ataque direcionado às instituições públicas, com o fim de impor cada vez mais o ideal de destruir o Estado e transformá-lo em braço de suporte dos interesses do mercado.

Nosso repúdio se dirige também às pessoas que tentam se aproveitar dessa onda hipócrita e cínica, utilizando-se do discurso ideológico de que o Estado é corrupto e lento, e o mercado é santo e eficiente, conforme a matéria nada científica da revista Veja, para propagar cursos de “produtividade” no serviço público, que mais se aproximam de uma narrativa de autoajuda e que contribuem com essa visão distorcida de estado mínimo cuja função é captar recursos para alimentar o sistema financeiro.

Os servidores precisam sim estar sempre se aperfeiçoando com cursos e palestras de qualidade, para que possam atender às demandas do serviço público com competência e presteza, como se espera de um Estado voltado ao atendimento das necessidades da população e não para atender a uma pequena parcela de clientes do mercado.

 

Sônia Alves
Presidente do Sindilex

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